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O cenário de “Ciber Guerra” é aterrorizante: Clarke sustenta que a China tem centenas de PhDs trabalhando em planos de ataques cibernéticos e a Rússia já agrediu, com sucesso, as redes de computadores da Estônia e da Geórgia

O @POCALIPSE CIBERNÉTICO, NA VERSÃO BETA

(por Élio Gaspari) Richard Clarke, o ex-czar antiterrorista do governo americano botou na rua, nos Estados Unidos, um livro aterrorizador. Chama-se “Ciber Guerra – A Próxima Ameaça à Segurança Nacional e o Que Fazer Diante Dela” . Clarke tem autoridade para falar de perigos. Trabalhou na Casa Branca de Bill Clinton e George Bush e nenhum dos dois prestava muita atenção quando ele falava numa tal de Al Qaeda. No dia 11 de setembro de 2001, com as torres em chamas, avisou: “Eles gostam de ações simultâneas. Isso pode ser o início”.

O cenário de “Ciber Guerra” é aterrorizante. Clarke sustenta que a China tem centenas de PhDs trabalhando em planos de ataques cibernéticos e a Rússia já agrediu, com sucesso, as redes de computadores da Estônia e da Geórgia. Some-se a essas agressões a invasão americana dos computadores iranianos, anarquizando arquivos do seu programa nuclear, da qual ele não fala.

Clarke montou um cenário de guerra cibernética durante o qual, em uma hora, entram em colapso redes de distribuição de energia, tráfego financeiro e controle de transportes, mais um pedaço do sistema de defesa e das comunicações do governo americano. O resultado disso será um imenso apagão, choques de trens e aviões, engarrafamentos de trânsito, explosões em refinarias e oleodutos. Três dias depois, o abastecimento entra em colapso e começam os saques. Radicalizando: um ataque cibernético a centrais de reparos on-line de copiadoras poderia emitir comandos que provocassem o superaquecimento das máquinas e incêndios. Segundo Clarke, nada disso aconteceu até hoje pelo mesmo motivo que nenhum dos nove países do clube atômico jamais usaram as suas bombas: ausência de um objetivo imediato e medo da reação da vítima.

“Cyber War” defende um aperto nos controles do governo sobre a rede e, por conta disso, Clarke é acusado de fazer terrorismo. Ele sustenta seu @pocalipse com argumentos técnicos mas, num ponto, circula informações corrompidas. Exemplificando o principal episódio de colapso de uma rede de distribuição de energia por meio da ação de hackers citou o caso que, segundo ele, foi comprovado pela CIA, de um apagão ocorrido em 2003 no Brasil. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, não houve apagão no Brasil em 2003.

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