A Gazeta entrevista Mauro Mendes, o Diário de Cuiabá, por seu turno, rebate com Blairo Maggi
(por Nolema Oliveira) Após uma semana de turbulência, com saída do empresário Mauro Mendes do Partido da República para ingressar no PSB, o governador Blairo Maggi (PR) recebeu em seu gabinete a reportagem do Diário para detalhar a mudança de plano para o processo eleitoral do próximo ano.
O empresário, afilhado político de Maggi, era considerado um plano-reserva do governador para a disputa de 2010. A decisão de Mauro não agradou ao governador, que decidiu reforçar a candidatura do vice-governador Silval Barbosa (PMDB) para evitar a “pecha” de traidor, até pelos laços de amizade que mantém com Mauro.
No atual cenário, o governador admite inclusive rever seu plano para 2010 e disputar o Senado. Maggi não descarta compor com o DEM no próximo ano, apesar de observar as reclamações do seu maior líder, o senador licenciado Jayme Campos, com quem o chefe do Executivo quer manter diálogo para aglutinar forças para o seu grupo político.
Diário de Cuiabá – O que há de concreto na sua declaração sobre a possibilidade de rever o plano para 2010? O senhor pode mesmo ser candidato a senador?
Blairo Maggi – Tudo vai depender do cenário, de como será apresentado daqui para frente. Primeiro, não é intenção. Eu já tomei a decisão de não concorrer em 2010, mas o quadro está se mostrando de tal forma, com essa mexida no tabuleiro – com a ida do Mauro para o PSB -, que me leva a algumas reflexões. A principal delas é que eu não quero passar pela história como alguém que deixou companheiro em campo aberto, sem onde se agasalhar. Então, diante disso, talvez, há a possibilidade de uma mudança de planos. Quer dizer: há a possibilidade (enfático). O que já é uma diferença grande em relação a antes: [a diferença] de não querer discutir e ter a possibilidade de discutir. Agora, o PR tem uma candidatura hoje colocada ao Senado, do deputado Wellington, que já está trabalhando. Não vai ser uma decisão minha, vai ser uma decisão do partido e do grupo aliado. Eu resumo assim: se tiver a necessidade, ou melhor dizendo, se a minha presença no jogo tende a dar um impulso maior à candidatura do Silval e que possa dar um impulso ao partido e ao grupo que tem reclamado, que acha que o PR está perdendo espaço, que vai se esfacelar, que isso que aquilo… Dependendo de todas essas conjunturas, há sim a possibilidade de a gente vir a discutir.
Diário – Até que ponto o fator “Mauro Mendes contribuiu para esta sua decisão?
Maggi – Totalmente. Era algo que não estava previsto. A coisa estava mais ou menos encaminhada dentro do jogo político, combinado sem nenhuma segunda intenção. Silval é o nosso candidato e tem que trabalhar, tem que se viabilizar. E quando chegar no final a gente senta com todo mundo, com os partidos aliados, que têm outras candidaturas também, para a gente saber quem vai. Até mesmo o DEM que, às vezes, fica reclamando, mas faz parte da nossa base. O senador Jayme é candidato, já disse isso outras vezes. Podemos sentar lá na frente e discutir. Aí tínhamos o Silval, o PR não tinha nenhuma candidatura. Mas o PR tinha o Mauro, que poderia, numa hipótese de o Silval não se viabilizar ou de Silval lá na frente desistir, lá na frente o Jayme não conseguir ter uma candidatura tranquila, nós podíamos sacar uma pessoa desta para fazer o enfrentamento, que seria um enfrentamento bom. Com a saída dele, as coisas mudaram. E como na política tudo muda muito de repente, eu também tenho que colocar alguma possibilidade de mudança neste processo. Estou me esforçando na candidatura de Silval, que é o meu candidato, mas mais uma vez quero deixar claro que não há portas fechadas para nosso arco de aliança.
Diário – O senhor e Mauro Mendes viajaram juntos, com as respectivas famílias, para os Estados Unidos há poucos meses. Isso é uma demonstração de que existe amizade entre os dois. Esta amizade está abalada?
Maggi – Não. A gente não mistura política com amizade. E diferente dos que muitos pensam. Coincidiram as nossas viagens de férias para levar a garotada para passear um pouco e a gente acabou uma única vez, durante talvez 10 ou 15 minutos, a gente falou de política. No resto em nenhum momento a gente falou de política. Talvez esta falta de falar tenha até precipitado alguma coisa. Mas eu disse ao Mauro, no dia em que ele veio me comunicar, que eu não concordava com a saída dele, achava que era uma coisa precipitada. Pelo menos para mim era muito precipitada, não deu tempo nem de fazer argumentações maiores. Respeito a saída dele, não acho que isso atrapalha a nossa amizade. Agora, politicamente tenho que cuidar dos interesses daqueles que estão dentro do partido e mais próximos.
Diário – O que o senhor tem a dizer àqueles que atribuem esta saída de Mauro Mendes a um plano elaborado pela base com o seu consentimento?
Maggi – Totalmente infundada. Que ela foi articulada por alguém da base, disso não tenha dúvida, mas sem a minha aquiescência, sem a minha concordância. Tanto é, que quem discutiu isso foram Percival Muniz, Mauro Mendes, Valtenir Pereira… Esses caras fazem parte da base. Eles estão olhando a política de outro jeito, por uma outra ótica, que eu não estou vendo. Eles estão buscando uma alternativa e não quer dizer que a estratégia política não tenha valor, não estou dizendo que não tem valor, agora tem viabilidade? Isso é outro departamento.
Diário – A história mostra que muitos políticos já declararam apoio fervoroso a determinado aliado, mas acabaram retirando este apoio em determinado momento. Qual garantia tem Silval Barbosa de que o senhor vai manter este apoio até a eleição?
Maggi – A minha tecla é sempre a mesma. Eu apoio a candidatura de Silval porque ele é uma pessoal leal, competente, conhece o governo, sabe como conduzir o governo. Não estou dizendo que outros não tenham estas condições também. Ele tem, ele está aqui no governo e conhece. A minha defesa do nome dele tem duas etapas. A primeira é a consolidação. Consolidou a candidatura, tem integral apoio meu até o final. Para mim isso foi bastante claro. Às vezes, falam esta candidatura depende só de Silval, não. Ela não depende só de Silval, depende das pessoas, dos políticos, que podem aderir ou não. Quanto mais adesão houver, quanto mais for incorporada, mais viabilidade ela tem de chegar em fevereiro, quando a gente sentar para fazer a discussão. Ele está com muito respaldo para fazer a discussão. Não depende só de mim e do Silval. Até reclamei com ele, há 15 dias, antes desta confusão toda. Eu disse: ‘Silval, esta candidatura está parecendo minha e sua, deste jeito não vai’. O PMDB, que é o seu partido, deveria fica ciscando para dentro e fica ciscando para fora. O seu Carlos Bezerra fica falando para cá e para lá e parece que não compactua com o que está sendo feito. Que dizer: ou estas coisas mudam ou sua candidatura está fadada ao insucesso. Mas isso foi antes dos acontecimentos e agora estou vendo que as coisas estão começando a mudar. De repente a saída do Mauro Mendes foi boa até para dar uma chacoalhada no quadro.
Diário – O cenário do senhor hoje é um dos mais tranqüilos para 2014. Se a Copa for um sucesso em Cuiabá, o senhor será lembrado como aquele que a trouxe. Se for um fracasso, alguém poderá argumentar que faltou o senhor para melhor conduzir os trabalhos. O senhor tem planos para se candidatar em 2014?
Maggi – Não tenho planos. O sucesso da Copa em Cuiabá vai depender de muitas pessoas. Uma coisa é você ter conseguido trazê-la para cá, era uma disputa de projetos de quem argumentava melhor, era de quem se apresentava melhor. Daqui para frente, não. É trabalho no campo, por isso a gente constituiu e pensou com os políticos de Mato Grosso e surgiu a Agecopa. As pessoas que estão indo para lá tem a responsabilidade da condução deste processo e o próximo governador, ele também tem que estar ciente que o Estado – não foi o governador Blairo Maggi – assumiu um compromisso perante a CBF, perante a FIFA de organizar nesta cidade um evento. Para que este evento tenha sucesso, tem uma série de coisas para serem feitas e construídas. Então o sucesso ou insucesso também passa pela política de quem estiver sentado aqui e tiver de acordo com isso ou não. Isso a sociedade vai ter que olhar para frente. Eu não quero os louros de termos uma Copa do Mundo superboa e não vou aceitar a pecha se der errado porque não depende mais de mim, eu não estarei mais aqui. O que eu fiz com grandes companheiros e que muita gente ajudou foi trazer a Copa. Eu estou organizando a largada deste evento, garantindo no orçamento do Estado recursos mínimos necessários para tocar isso, e estamos com articulações dentro do governo Federal para buscar o restante dos recursos que faltam para Copa do Mundo. Cuiabá e Várzea Grande vão ganhar muito com isso. Há dividendos políticos lá na frente, óbvio que sim, como pode ter também danos. Todos nós temos que trabalhar.
Diário – O Senhor disse há cerca de um mês que os trabalhos para a Copa já estão atrasados em todo o Brasil. Há duas semanas, a Assembleia gastou três dias discutindo uma emenda na Agência da Copa prevendo a inclusão de mulheres em sua diretoria. O que fazer para acelerar mais os trabalhos?
Maggi – Enquanto a Assembleia discutia, discute e ainda está discutindo a aprovação dos nomes que foram indicados para a Agecopa, isso não tem atrapalhado em nada os nossos serviços porque estão sendo feitos dentro das Secretarias de Turismo e de Planejamento e juntamente com Adilton Sachetti, que está na Secretaria Especial de Meio Ambiente. Estas pessoas estão trabalhando todos os dias, praticamente já não estão nas funções delas internamente. Quando a Assembleia aprovar os nomes e forem para o local provisório, no Aecim Tocantis, a partir daí é que eles vão começar com aqueles que estão chegando agora. Ela é uma administração colegiada, o presidente não vai poder fazer tudo sozinho, vai ter que discutir com os diretores. Eles têm que planejar para 2014, não tem um manual feito. Então algumas viagens para fora terão ser feitas, terão que conversar com pessoas que já participaram. A nossa ida para África do Sul foi importante, a gente abriu caminhos e canais de diálogos com pessoas que estão vivendo isso na prática agora. Uma vez feito isso, vai dar tudo certo.
Diário – E com relação às críticas às indicações dos membros da Agecopa?
Maggi – Recebo com toda tranqüilidade. Se pudesse colocar sete Jesus Cristos, iria haver reclamações iguais, quer dizer, já estou acostumado. As pessoas precisam entender que para cada área desta agência tem que ter um perfil. Quando eu falo assim: não quero Agecopa misturada na política, mas sem a política, ela também não vai, ela tem que ter articulação política com Assembleia Legislativa, tem que ter articulação com membros da comunidade de Cuiabá e Várzea Grande, tem que ter mobilidade política dentro do Estado, dentro do Executivo. Não dá para pegar pessoas simplesmente que não conheçam nada do Estado, que não participaram de nada e trazer sete pessoas de fora – de São Paulo e de Brasília – e falar assim: ‘toma conta disso’. Não vão sair do lugar. Estamos misturando dentro da área política. Não são sete cabides político, são sete pessoas que têm serviços prestados, têm conhecimento e que podem muito ajudar. E eu confio plenamente que são capazes para tocar para frente, eles estão com vontade, determinação de fazer isso, que é mais importante.
Diário – Neste momento, no atual cenário político, o senhor vê o PT, PR e PMDB amarrados para a disputa política do próximo ano?
Maggi – Amarrados não, nós estamos conversando. Acho que PR e PMDB estão bem mais próximos em função da candidatura de Silval e o PT, em função da política nacional, também acho que há uma possibilidade de vir, como também acho a possibilidade de trazer outros partidos, o próprio PSB, o PDT, o próprio Democratas. Não há porque não conversar com eles. Política não tem portas fechadas. O que tem neste momento é uma vontade de candidatura do pessoal lá do PSDB contra o grupo que está aqui. Isso é o que está colocado. A partir daí quem vai aglutinar para lá ou cá, vai depender das conversas.
Diário – Entre as suas indicações para a Agecopa há três secretários. Quem serão os substitutos.
Maggi – A princípio todos da estrutura de governo mesmo. O do Planejamento já está definido, será o adjunto. No Turismo, conversei com o pessoal do PP, que é indicação deles. A secretária-adjunta do Turismo é do PP e ela tem competência para ficar no cargo. E a outra é a Secretaria Extraordinária para Assuntos de Meio Ambiente e Fundiários, comandada por Adilton Sachetti, que é uma Secretaria de coordenação, eu vou ver internamente o que fazer.
Fonte: Diário de Cuiabá
><>O governador Blairo Maggi, pelo seu perfil, parece sincero em suas colocações, mas isso não impede, por exemplo, das pessoas desacreditarem nelas. Mesmo porque ele está voltando atrás na questão da candidatura ao senado.
Embora o governador não veja viabilidade numa possível candidatura de Mauro Mendes ao governo, isso acontece por conta do tapa-olho da mágoa. Lembrando: Mauro Mendes obteve mais de 140 mil votos no segundo turno, em disputa com Wilson Santos. Wilson Santos, com atraso nas obras que alavancaram sua reeleição, operação Pacenas, prisão de tucanos, entre eles o seu principal colaborador, José Antônio Rosa, não é certo que o prefeito saia de Cuiabá com a mesma quantidade de votos.












Bosco para corroborar o que vc está dizendo veja o que saiu na coluna Cuiaba´Urgente do DC;Cochicho
Na última sexta-feira, em um evento político em Cuiabá, o prefeito Wilson Santos (PSDB) conversava atentamente com duas pessoas sobre pesquisas, o que chamou a atenção de curiosos.
Revelação
Na conversa, WS deixou escapar que uma possível candidatura sua está sendo bem avaliada no interior, incluindo neste cenário Várzea Grande, aqui do lado.
Revelação 2
Porém, na Capital, o cenário está, digamos, um pouco menos positivo. WS disse que a lentidão para se concluir a ETA Tijucal, avenida das Torres e os problemas no pronto-socorro estão atrapalhando sua candidatura.