O governo brasiliano poderá ser autorizado pelo Congresso Nacional a rever o acordo ortográfico
O Congresso Nacional poderá autorizar o governo brasileiro a rever o acordo ortográfico firmado com os demais países de língua portuguesa. A sugestão foi apresentada pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), após ouvir diversas críticas feitas ao acordo, durante audiência pública sobre o tema, realizada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
A aprovação de uma lei que autorize o governo a sugerir modificações no texto da reforma ortográfica é uma das alternativas a serem analisadas pela comissão, segundo a senadora, que defendeu o aprofundamento do debate sobre a reforma com a sociedade. O Brasil foi o único país que adotou oficialmente o acordo, assinado em 1990. Segundo o texto, implantação das mudanças na língua deverá estar concluída até 2013.
O presidente de honra da Academia Brasileira de Filologia, Leodegário Amarante de Azevedo Filho, observou que existe grande resistência à adoção da reforma ortográfica estabelecida pelo acordo, principalmente entre escritores portugueses. Em sua opinião, o acordo foi feito para as próximas gerações, que já aprenderão a língua segundo a nova ortografia. Mesmo assim, ele apontou a existência de problemas como a extinção do trema, que tem uma função ao indicar a pronúncia das palavras, e a manutenção de consoantes mudas, como o c na palavra ‘actor’.
- Os portugueses não abrem mão das consoantes mudas, que não têm função, enquanto o trema, que tem função, foi eliminado – comparou.
A reação dos portugueses à mudança também foi ressaltada pelo representante da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, Walter Esteves Garcia. Na opinião de escritores de Portugal, relatou, o Brasil está querendo impor uma revisão da língua ao país onde a língua foi criada.
O acordo foi duramente criticado pelo professor Ernani Pimentel, que lançou o movimento Acordar Melhor, destinado a aperfeiçoar a reforma ortográfica. Em primeiro lugar, ele lembrou que as mudanças começaram a ser debatidas em 1975, quando ainda nem existia a internet. Além de anacrônica, observou, a reforma também teria fugido a seus objetivos, quando, por exemplo, eliminou o trema. Em sua opinião, a reforma ortográfica deveria eliminar exceções a regras e duplas grafias, além de padronizar os radicais.
- Não houve uma discussão democrática e aberta – afirmou Pimentel.
Após ouvir os expositores, o senador Flávio Arns (PSDB-PR) disse ter ficado “abismado com o nível de dificuldade que o acordo está trazendo para a vida nacional”. Se existem tantas objeções à reforma aprovada, ele perguntou quem estaria a favor do acordo. Por sua vez, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu a revisão do acordo, após perceber a existência das falhas mencionadas pelos expositores.
Fonte: Agência Senado
><>Quanto a questão do trema (relevante) e das consoantes mudas (irrelevantes) o Brasil poderia ser mais impositivo nessa questão.
As diferenças de linguagem entre Estados Unidos e Inglaterra, em alguns pontos chegam ser abissais, no entanto, os documentos assinados entre os dois países são apenas uma versão.
Entre Brasil e Portugal, os acordos bilaterais, não se sabe por que cargas d’água, pois, são duas versões. A de Portugal, com seus actos, factos – que podem continuar pronunciando dessa maneira, mas não necessariamente escrevendo, e a nossa, um pouco mais simplificada.
Isso poderia acabar desde que o Brasil se impusesse como o maior usuário da língua portuguesa no mundo contemporâneo.
A linguagem, aqui mesmo entre nós, tem uma diversidade muito grande: nos cuiabanos falamos de um jeito, o meu amigo Airton Farias, lá no Rio Grande, de outra. Minha filha Cessa Lenine fala, com certeza de uma forma diversa das que aqui moram. Mas a escrita é rigorosamente a mesma (imposta de forma autoritária). Se o Brasil não respeita a sua diversidade interna, por que ficar com melindres com os usuários alheios.
O Brasil tem que pensar nas nossas crianças – frente a um sistema educacional, quase falido, que não consegue alfabetizar 100% aquelas que entram na escola – um pouco por desonestidade intelectual dos nossos professores, outro tanto por dificuldades inerentes da escrita, ampliadas pelo número menor de professores ao necessário frente a demanda.
Ora, o Brasil pode muito bem criar um sistema ortográfico mais próximo da fonética, para alfabetização e depois a ortografia padrão, assim como nós aprendemos a ler “pharmácia” “Nympho”, que são grafias de sistemas anteriores ao atual. Não fazemos isso porque temos um “respeito” excessivo aos portugueses, como se eles fossem proprietários.
Ademais, alguns países, ditos de língua portuguesa, adotam uma grafia mais próxima de sua realidade oral, que nós temos dificuldades para entender os textos, e se fôssemos um pouquinho mais rigorosos iríamos dizer que não tem nada a ver com o português.
Agora, temos que reconhecer essa diversidade da linguagem oral e parar com o preconceito de não querer legendar os filmes portugueses. Daí nosso pouco contacto com a filmografia portuguesa. Que é esquisito é, português com legenda, mas os factos são esses. (Comentários meus: João Bosquo)
PS.: Este BJB procura usar como adjetivo pátrio a grafia BRASILIANO/BRASILIANA no lugar de brasileiro/brasileira criado pelos nossos irmãos portugueses com uma conotação pejorativa. Que eles sabem muito bem, e nós nem tanto.












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