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Por quê é que a imprensa paulita esconde a violência paulistana

><>A propósito do comentário no post Defesa de Chica Nunes tenta brecar processo pedindo que a investigação se estenda as gestões anteriores ao período em que ela foi presidente da Câmara Municipal, leia o comentário de Alberto Dines, publicado hoje no Observatório da Imprensa.

Dines, que gosta de se fazer de obusdman da imprensa nacional, faz o comentário pertinente, mas os motivos, talvez não sejam apenas comerciais. Por favor, amigo e-leitor, prestatenção, talvez as eleições de 2010 não estejam interferindo no noticiário dos jornalões. Afinal, o Rio é governado por Sérgio Cabral, PDMB, que apoia Lula. São Paulo, tolos sabemos , é José Serra, pré-candidato do PSDB ao Planalto.

A notícia escondida

Por Alberto Dines em 9/11/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 9/11/2009

Para a grande imprensa paulistana, não existe violência urbana nem crime organizado. Estes são “fenômenos” cariocas. Para os mundaníssimos jornalões da Paulicéia, chacinas, assaltos a condomínios, arrastões, seqüestros e latrocínios são “baixarias”, coisa que só interessa à “gentinha” e não aos seus qualificados leitores.

O novo e audacioso assalto a um carro-forte em Araras, perto de Campinas, ocorrido no fim da tarde da quinta-feira (5/11) só foi noticiado pela Folha de S.Paulo e peloEstado no sábado (7).

Ao longo do dia anterior, os portais de informação da internet fartaram-se de “comer mosca”, embora as rádios ao longo do dia estivessem muito ativas investigando o roubo de quase 6 milhões de reais e a primeira “bala-perdida” de que se tem notícia nestas prósperas bandas.

As autoridades policiais acreditam que os bandidos fazem parte da mesma quadrilha que, três semanas antes, em Amparo, atacou e roubou outro carro-forte também utilizando uma metralhadora pesada. Mas isto não interessou à mídia digital, a mídia da modernidade (ver “Ctrl C, Ctrl V: notícia que é bom, nada”).

Olho nos anúncios

O mais grave, porém, aconteceu no domingo (8), depois que os jornalões afinal acordaram da letargia: o fato havia sumido, evaporou-se, como se nada tivesse acontecido. Como se a polícia inteira estivesse de folga, como se as redações estivessem trancadas e os jornais fechados para balanço.

No sábado, a Folha dedicou três páginas ao assalto, o Estadão usou duas, capas inclusive. A omissão do domingo não ocorreu por falta de espaço: o “Cotidiano” daFolha estendia-se ao longo de três cadernos.

Seria incúria, incompetência ou ordens do Departamento Comercial para não macular com sangue os fascinantes anúncios de lançamentos imobiliários?

Qualquer que seja a razão, está ficando claro que o Rio pode ser a capital do crime organizado. Mas São Paulo é a capital da imprensa desorganizada.

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