Enock Cavalcanti, como sempre, põe o dedo na ferida: tem gente que não gosta…
COM O PT É OUTRA (TRISTE) HISTÓRIA – Quem disse que o PT tem moral para questionar o mandato de Lúdio Cabral? Me parece que, no caso, a cassação só cabe ao povo
18/11/2009 – 10:45:00
(por Enock Cavalcanti) Lúdio Cabral se absteve na cassação de Lutero. Atitude reprovavel. Daí, todavia, a alguns militantes do PT aparecerem querendo que o partido casse seu mandato vai uma distância enorme. Primeiro, que a tese deve ser rejeitada pelos pragmáticos dirigentes partidários. Afinal de contas, não houve fechamento de questão, orientação partidária em favor da cassação. Pode-se discordar da tese defendida por Lúdio, em plenário, mas a abstenção pode ser mesmo entendida como uma forma de guardar coerencia com o relatório por Lúdio assinado. Vuolo foi mais político, denunciou o encaminhamento de votação adotado por Deucimar, mas votou contra Lutero. Lúdio preferiu não agir politicamente, donde se pode perguntar: o que ele está fazendo, afinal de contas, na Câmara de Cuiabá que, acima de tudo, é um espaço de atuação politica? Quanto ao PT, como é que poderia cassar Ludio por vacilar diante da cassação de um corrupto na Câmara se o partido também vacila em questionar o deputado Alexandre César e o deputado Ademir Brunetto que também vacilam em questionar os corruptos e a corrupção dentro da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, comandada por Riva, deputado do PP que compõe a base de sustentação de Lula mas é o deputado estadual mais processado por improbidade administrativa de toda a história de Mato Grosso? Como se vê, antes de propor a cassação de Lúdio, seria importante que esses militantes ditos radicais e compromissados mais profundamente com a ética partidária, tratassem de contribuir, no dia-a-dia, para que o PT, firmasse uma nova maioria em favor da ética política. Do jeito que está, o PT está maus. Eu entendo que Lúdio Cabral vacilou pra cacete neste episódio, dando azo a que se fortaleçam as especulações em torno de algum tipo de acordo secreto que exista entre ele e o Lutero. Sempre se falou disso (sem se provar, é claro), nas esquinas partidárias, e agora vai se falar muito mais. Que Lutero, por exemplo, teria financiado parte da campanha de Ludio. Deucimar Silva já gritou várias vezes que Lúdio gozava de privilégios no tempo em que Lutero administrava a Câmara. Mas quem disse que o PT tem moral para questionar o mandato de Lúdio Cabral? E moral para questionar o financiamento de uma campanha interna por um agente interno, desde que o PT se arreglou, em Mato Grosso, com os patrões da Turma da Botina? Me parece que, no caso, a cassação do parlamentar Lúdio só cabe ao povo, esse povão que, infelizmente, não sabe que tem este poder. Vai daí que, além das críticas, entendo que o Lúdio Cabral ganhou um tempo para se angustiar e, quem sabe, se reciclar nesta desafiante tarefa de ser, na Câmara de Cuiabá, a voz de um partido que há muito tempo, na minha modesta opinião, não tem mais voz e que, paulatinamente, vai perdendo a importância à medida que se transforma num partido como outro qualquer. Basa se comparar o espaço que o PT já deteve, nos tempos de Pignati, de Serys, de Gilney, para os espaços que o PT detém agora. A participação politica do PT, em Mato Grosso, sofreu uma alteração. Esse é um bom assunto para os sociólogos. O partido dos movimentos sociais e das greves agora é o partido que administra o Estado junto com Maggi. Muitos existem por aí que entendem que esse é a caminhada natural de um partido que busca o poder. Eu diria que essa é a uma caminhada rotineira, de fato. Só que o Partido que se pretendia porta-voz de uma classe, a classe dos trabalhadores, vai paulatinamente traduzindo apenas e tão somente os interesses dos seus dirigentes de plantão. Isso não acontece à toa. Todos os petistas tem responsabilidade nesta história. Taí um debate que pode render muito papo, muito papel, muito espaço na internet.
Fonte: Página do E
><>Mais dois ou três comentários desses quem será expulso das hostes petistas será o inquieto jornalista, escuta só.
Enock, como sempre, pontua muito bem os problemas internos e éticos do partido. Tem gente que não gosta.












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